Bem-vindo ao makerbh

Quando eu era criança adorava desmontar coisas: relógios, brinquedos, gravador de fita K7, telefone, projetor super 8, tudo isto teve que sobreviver à minha curiosidade de entender, afinal, como tudo isto funcionava. Nem sempre tudo deu certo: um dedo machucado por uma mola de relógio ou um grande curto-circuito me fizeram aprender a tomar alguns cuidados.

Eu ficava fascinado com a oficina do meu tio, que consertava medidores elétricos de precisão, fotômetros e multímetros, com aqueles ponteiros delicados e bobinas de fios da grossura de um fio de cabelo. Este tio me deu um presente que nunca esqueci: ele montou um jogo da velha elétrico, com chaves, luzes vermelhas e verdes dentro de uma lata de filme 16mm que ele mesmo pintou.

Hoje em dia entendo que eu não estava sozinho. Conversando com amigos, é fácil encontrar muitos outros que faziam a mesma coisa!

Adiantando rapidamente para os dias de hoje… O que podemos desmontar em casa? Quem se habilita a abrir um iPod, um celular, um notebook ou uma TV? E se conseguir abrir… O que vai encontrar lá dentro? Que falta de graça…

O MakerBH é ainda uma idéia em maturação buscando a resposta a como proporcionar um espaço, recursos e companhia para que crianças e adultos possam exercitar a satisfação de olhar por dentro das coisas, agora não mais as desmontando, mas criando, construindo e aprendendo?

A mesma tecnologia que hoje esconde o funcionamento das coisas atrás de chips minúsculos e secretos, também permite, cada vez mais e a um custo cada vez mais acessível, materializar nossas idéias em objetos e equipamentos. O compartilhamento destas idéias e geringonças dá espaço para novas idéias construídas em cima das originais e novos compartilhamentos, formando uma rede de resultados imprevisíveis, deixando no seu rastro adultos felizes com seus novos brinquedinhos e crianças curiosas, criativas e capazes de aprender sozinhas!

A idéia do MakerBH segue este mesmo princípio. Ela não é nova. O movimento Maker nasceu nos Estados Unidos (onde a filosofia do “faça-você-mesmo” já existe há muitos anos) e está ganhando força rapidamente por todo o mundo. Mas cada lugar tem a sua cultura, suas forças e suas limitações e isto dá um novo significado a esta idéia… O que será que vai sair disso?

Estou curioso para descobrir…

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Veja também: o que é um Maker.

5 opiniões sobre “Bem-vindo ao makerbh

  1. Renato curioso como eu também fiz tudo isto que você fez, desmontei tudo que me chegava às mãos. Alguns eu remontei, consertei e voltaram “à vida” outros não…. O legal é que sempre procurei entender como as coisas funcionam e para isto também li enciclopédias e outros livros técnicos. Meu pai então um dia me mandou começar a estudar eletrônica por correspondência pelo “Instituto Universal Brasileiro” e foi com estes estudos que aprendi mais um pouquinho de eletrônica que naquela época ainda era toda analógica. Ajudei até a montar a primeira rádio comercial de minha terra natal, cheguei a ter uma estação de PX (faixa do cidadão) em casa mas, parei por aí.
    Eu não sabia desta sua faceta do tipo “Professor Pardal” e apesar de não ter tido tempo para nada na prática andei lendo um pouco sobre o arduino e a idéia de trabalhar com “open source”. Porém estou apenas na teoria apesar de já termos um arduino nano aqui em casa para uso do Marco Túlio, meu filho. Queria encontrar tempo e uma forma de poder me aproximar desta sua iniciativa e tentar fazer alguma coisa também.
    Abraço,
    Gilberto Varela Mendonça

  2. Grande iniciativa Renato! Com certeza você não esta só nesta idéia. Apesar da minha ignorância neste tema, você fez renascer a minha a vontade de resgatar o meu lado inventivo. Tempos em que eu usava o “protoboard” e fazia minhas experiências. Já comecei a pesquisar sobre o movimento “maker” e o universo de possibilidades do “arduino”.
    Obrigado!
    Paulo Cesar de Oliveira Andrade

    • Olá Paulo, obrigado pelo seu comentário. Bom saber que não estou só! Vamos transformar estas nossas vontades em ação e ver ainda muitos olhos brilhando com o prazer de ver coisas feitas por nós sendo compartilhadas e evoluídas por outros interessados. Um abraço!

  3. Mintz, essa iniciativa vem ao encontro da criança que vive em cada um de nós e, com certeza, abre muito horizonte para o adulto de hoje. Costumo dizer que minha esposa faz arroz pelo celular.

    Usando o arduíno, construi uma tomada que é acionada por um comando RF, executado a partir de um HomeServer que é acessado, por ela, através do celular, toda vez que deseja fazer o arroz numa panela elétrica previamente carregada com os ingredientes !

    Os meninos acham uma festa acender luzes por comando de voz e outras futurologias nossas do presente deles. É muito prazeroso viver e participar dessa metamorfose social e tecnológica.

    Vamos encontrar maneiras de alimentar essa iniciativa e fazê-la crescer.

    Parabéns também pelo evento no “EspacoDoConhecimento”. Não só os pais, mas também os meninos já querem criar uma versão 2 do carrinho fujão e pedem os códigos (sketches) utilizados durante o evento da versão 1. Parabéns para toda a equipe pela qualidade e pelo carinho com que conduziram o evento.

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